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Dicas de CV

Como fazer um currículo em 2026: modelo, exemplos e erros a evitar

Guia prático para fazer um currículo em Portugal em 2026: a estrutura certa, exemplos reais que podes copiar, foto ou não, Europass e passar nos filtros ATS.

7 min de leitura
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Fazer um currículo do zero parece simples até te sentares em frente à página em branco. Que secções incluir, por que ordem, com foto ou sem foto, uma página ou duas, formato Europass ou um modelo mais moderno. Em Portugal, cada uma destas escolhas tem uma resposta concreta, e acertar nelas é a diferença entre ser chamado para uma entrevista e desaparecer numa pasta de candidaturas.

Este guia mostra-te como construir um currículo de raiz para o mercado português, com a estrutura certa, exemplos que podes copiar e adaptar, e as decisões que os recrutadores em Lisboa, no Porto ou em Braga realmente valorizam.

O que decide os primeiros segundos

Antes de escreveres uma linha, vale a pena saber contra o quê estás a competir. Segundo a consultora Hays Portugal, num estudo de 2024, um recrutador demora em média entre 6 e 10 segundos na primeira triagem de cada currículo. Nesse intervalo não lê tudo, faz uma leitura rápida à procura do cargo que ocupaste, das empresas onde trabalhaste e das palavras-chave da vaga.

Isto tem duas consequências práticas. A primeira é que a informação mais importante tem de estar visível no topo, sem obrigar ninguém a procurar. A segunda é que a formatação conta tanto como o conteúdo. Um currículo confuso, com tabelas cruzadas e três tipos de letra, perde o leitor antes de chegar à parte boa.

Europass ou currículo moderno

Esta é a primeira decisão real. O Europass é o modelo criado pela União Europeia e disponível gratuitamente na plataforma oficial em europass.europa.eu, onde podes preencher os campos, escolher o idioma e descarregar o CV em PDF. Segundo o próprio Europass, é um dos formatos mais usados na Europa e permite apresentar as competências de forma uniforme entre empregadores de vários países.

O problema é que, no mercado privado português, o Europass tem má fama. Tende a ficar longo, com muitos campos que ninguém preenche, e foi usado tantas vezes que os recrutadores se cansaram de o ver. A regra prática que funciona em Portugal é esta: usa o Europass quando a vaga o pede explicitamente, o que acontece sobretudo em concursos públicos, candidaturas a programas europeus e algumas instituições académicas. Para tudo o resto, um currículo moderno de uma ou duas páginas, feito à medida da função, tem melhor desempenho.

A estrutura que funciona

Um currículo eficaz para o mercado português segue quase sempre a mesma ordem, de cima para baixo:

  1. Cabeçalho com o teu nome, cargo ou área, cidade, número de telemóvel, email e uma ligação ao teu perfil de LinkedIn.
  2. Resumo profissional, três ou quatro linhas que dizem quem és e o que trazes.
  3. Experiência profissional, por ordem cronológica inversa, do emprego mais recente para o mais antigo.
  4. Formação académica, no mesmo formato.
  5. Competências, técnicas e de idiomas.
  6. Extras opcionais, como certificações, voluntariado ou projetos, quando são relevantes para a vaga.

Repara na ordem. A experiência vem antes da formação, exceto se acabaste de terminar o curso e ainda não tens percurso profissional. Nesse caso, coloca a formação primeiro e valoriza estágios, projetos de final de curso e trabalho de verão.

Como escrever a experiência profissional

É aqui que a maioria dos currículos falha. As pessoas descrevem funções em vez de mostrarem resultados. Compara estas duas versões da mesma linha, para um cargo de gestão de loja:

Versão fraca: "Responsável pela equipa e pelas vendas da loja."

Versão forte: "Geri uma equipa de 8 pessoas e aumentei as vendas da loja em 18 por cento em 2025, ao reorganizar os turnos nas horas de maior movimento."

A segunda versão diz a mesma coisa, mas acrescenta números, um período e uma ação concreta. Não precisas de inventar nada. Precisas de olhar para o que fizeste e perguntar quantos, quanto e com que efeito. Cada entrada de experiência deve ter o cargo, o nome da empresa, a localidade, as datas e depois duas a quatro linhas neste formato de resultado.

Um exemplo completo de uma entrada:

Assistente de marketing digital, Loja Nova, Porto (março de 2023 a atualidade)

  • Geri as redes sociais da marca e fiz crescer a comunidade de Instagram de 4 mil para 11 mil seguidores em doze meses.
  • Lancei campanhas de email que geraram 22 por cento das vendas online no último trimestre de 2025.
  • Coordenei três freelancers e reduzi o tempo de produção de conteúdos em cerca de um terço.

Exemplo de resumo profissional

O resumo no topo é o teu argumento em quatro linhas. Deve dizer quem és, quanta experiência tens e o que procuras, sem clichés. Um exemplo que podes adaptar:

"Técnica de contabilidade com 6 anos de experiência em PME em Lisboa, especializada em fecho de contas e reporting mensal. À vontade com o SAF-T e com software de gestão como o Primavera e o SAP. Procuro uma função onde possa assumir a responsabilidade total de um centro de custos."

Repara no que este resumo faz. Nomeia a área, os anos de experiência, uma competência técnica concreta e um objetivo claro. Evita frases vazias como "profissional dinâmico e orientado para resultados", que não dizem nada a ninguém e ocupam espaço precioso.

Passar pelos filtros sem truques

Muitas empresas em Portugal, sobretudo nas áreas de tecnologia, saúde, banca e grandes retalhistas, usam software de triagem automática, conhecido como ATS, para ordenar as candidaturas antes de um humano as ler. A boa notícia é que passar por estes filtros não exige truques, exige clareza.

As recomendações da CVmaker.pt para um currículo compatível com ATS são simples e coincidem com aquilo que torna qualquer CV mais legível: uma única coluna, sem tabelas nem caixas de texto, tipos de letra comuns como Arial ou Times New Roman, tamanho mínimo de 10 pontos, e o texto alinhado à esquerda. Guarda o ficheiro em PDF, a menos que a vaga peça Word.

O ponto mais importante é a linguagem. O software procura as palavras que aparecem no anúncio. Se a vaga pede "gestão de projetos" e tu escreveste "coordenação de iniciativas", o filtro pode não fazer a ligação. Lê o anúncio com atenção e usa os mesmos termos que a empresa usa, desde que sejam verdade no teu caso. Isto não é enganar o sistema, é falar a mesma língua de quem contrata.

Foto, dados pessoais e comprimento

Três dúvidas voltam sempre, e todas têm resposta clara para Portugal.

Foto. Não é obrigatória. A tradição portuguesa e de boa parte da Europa aceita foto no currículo, mas cada vez mais recrutadores preferem currículos sem foto para evitar enviesamentos. Se decidires incluir, usa uma imagem profissional e recente. Se tiveres dúvidas, deixa de fora e não perdes nada.

Dados pessoais. Nome, cidade, telemóvel e email chegam. Não precisas de colocar número de contribuinte, número da Segurança Social, estado civil ou data de nascimento. São dados que a empresa não deve pedir nesta fase e que só ocupam espaço.

Comprimento. Uma página se tens até cerca de dez anos de experiência, duas páginas no máximo se tens um percurso longo. Nunca três. Se não cabe, é sinal de que estás a incluir coisas que não interessam para esta vaga em concreto.

Os erros que eliminam a candidatura

Alguns erros fazem um recrutador passar ao candidato seguinte quase de imediato:

  • Erros de ortografia. Num currículo, um erro de português lê-se como falta de cuidado. Revê tudo e pede a alguém para ler antes de enviares.
  • O mesmo CV para tudo. Enviar o currículo genérico para vagas diferentes é o caminho mais rápido para não ter resposta. Ajusta o resumo e as palavras-chave a cada anúncio.
  • Email pouco profissional. Cria um endereço com o teu nome. Um email de adolescente estraga a primeira impressão.
  • Faltar o resultado. Listar tarefas sem mostrar o que mudou deixa o teu currículo igual ao de toda a gente.
  • Um design demasiado carregado. Colunas duplas, ícones e cores fortes podem parecer criativos, mas confundem tanto o olho humano como o software de triagem.

Antes de enviares

Antes de carregares o currículo no Net-Empregos, no Sapo Emprego, no Expresso Emprego ou no portal iefponline do IEFP, faz uma última verificação. O cargo que procuras está visível no topo. Cada entrada de experiência tem pelo menos um número ou resultado. As palavras-chave da vaga aparecem no texto. Não há erros. Cabe em uma ou duas páginas. O ficheiro tem o teu nome, algo como joao-silva-cv.pdf, e não "documento1.pdf".

Vale ainda lembrar o contexto do mercado. Com o salário mínimo nacional a subir para 920 euros brutos em 2026, contra os 870 euros de 2025 segundo o Orçamento do Estado, a concorrência por funções acima desse patamar é grande, e um currículo claro é a tua primeira ferramenta de negociação. Um bom currículo não te consegue o emprego sozinho, mas é o que te abre a porta da entrevista, e sem essa porta aberta o resto nem chega a acontecer.