Ir para o conteúdo
Laddro
Dicas de CV

Currículo de assistente social: exemplo, cédula e o que as IPSS procuram

Exemplo de currículo de assistente social em Portugal: onde indicar a cédula da Ordem, resumo profissional pronto a adaptar e bullets de experiência.

7 min de leitura
Illustration for Currículo de assistente social: exemplo, cédula e o que as IPSS procuram

Procurar emprego como assistente social em Portugal mudou de regras nos últimos anos, e isso nota-se logo na primeira linha do currículo. Desde que a profissão passou a ser regulada, o que antes era uma linha na formação académica virou requisito de entrada, e os anúncios dizem-no sem rodeios. Quem não mostra a cédula profissional não passa da triagem, por muito boa que seja a experiência no terreno.

Vagas há. Em setembro de 2026, o Net-Empregos listava 234 ofertas na categoria de assistente social, desde lares e centros de dia a estruturas de apoio a pessoas em situação de sem-abrigo, passando por centros de reabilitação psicossocial e Misericórdias. O problema raramente é a falta de anúncios: é chegar a entrevista com um documento que mostre o que sabes fazer em vez de descrever a instituição onde trabalhaste.

Este artigo mostra como montar um currículo de assistente social para o mercado português, com dois resumos profissionais prontos a adaptar, exemplos concretos de como reescrever a experiência e o que muda quando te candidatas ao setor público.

Quem recruta assistentes sociais em Portugal

Vale a pena perceber a dimensão da rede antes de escreveres uma linha. Segundo os dados da Carta Social de 2024, geridos pelo Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, existiam em Portugal continental 7.433 equipamentos dirigidos a pessoas idosas (centro de dia, estrutura residencial e apoio domiciliário) com 286.954 lugares, 2.632 creches com 137.583 lugares e 842 respostas para pessoas com deficiência com 23.969 lugares. Cada um destes equipamentos tem quadros técnicos, e a maioria com um assistente social no meio deles.

Os empregadores repartem-se por quatro mundos com exigências diferentes: as IPSS e Misericórdias, que representam a maior fatia das vagas privadas; as autarquias e as suas divisões de ação social; o Estado, através das unidades locais de saúde, dos agrupamentos de escolas e da Segurança Social; e o terceiro setor mais especializado, como as associações de intervenção comunitária, os projetos de redução de riscos e as comunidades terapêuticas. O currículo que funciona numa estrutura residencial para idosos no Alentejo não é o mesmo que funciona numa equipa de crianças e jovens em risco em Lisboa.

A cédula profissional vem primeiro

A Ordem dos Assistentes Sociais foi criada pela Lei n.º 121/2019, de 25 de setembro, alterada pela Lei n.º 66/2023, de 7 de dezembro. A própria Ordem é clara na formulação: "a inscrição na Ordem dos Assistentes Sociais é condição necessária para a atribuição e uso do título profissional, indispensável ao exercício da profissão". Quem já exercia teve até 31 de janeiro de 2025 para se inscrever, segundo a informação publicada pela Ordem.

A cédula profissional, ainda de acordo com a Ordem, "constitui prova de inscrição na Ordem" e é emitida no prazo de 30 dias úteis após a aprovação do processo. O regulamento de inscrição fixa uma taxa de 120 euros, com devolução de 25 por cento caso o pedido seja indeferido, e exige certificado autenticado de habilitações, registo criminal e documentos de identificação.

Isto tem uma consequência prática direta no teu currículo: o número de cédula fica no cabeçalho, ao lado do contacto, e não escondido numa secção de certificações na página dois. Um anúncio recente da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, divulgado no portal Espaço do Assistente Social, exigia textualmente "titular de cédula profissional emitida pela Ordem dos Assistentes Sociais, na qualidade de membro efetivo", a par de "licenciatura ou mestrado (2.º ciclo de estudos, quando exigível para o exercício da função) em Serviço Social". Quem faz a triagem procura essa linha antes de ler mais alguma coisa.

Estrutura recomendada

Duas páginas no máximo, como é norma no mercado português. Esta ordem funciona bem para serviço social:

  1. Cabeçalho. Nome, número de cédula da Ordem dos Assistentes Sociais, telefone com indicativo +351, email sóbrio, cidade de residência. Se tens carta de condução e viatura própria, indica: muitas funções envolvem visitas domiciliárias e o recrutador quer saber isso já.
  2. Resumo profissional. Três a quatro linhas com anos de experiência, públicos com quem trabalhaste e o tipo de resposta social.
  3. Experiência profissional. Ordem inversa, com o nome da instituição, a resposta social concreta e o público atendido.
  4. Formação académica. Licenciatura e mestrado em Serviço Social, com instituição e ano.
  5. Formação contínua. Só o que é relevante para a vaga.
  6. Competências técnicas. Instrumentos de diagnóstico social, elaboração de relatórios sociais, acompanhamento de processos de rendimento social de inserção, articulação com a rede local.
  7. Línguas e disponibilidade.

Resumo profissional: dois exemplos para adaptar

Para quem já tem percurso feito:

Assistente social com cédula profissional da Ordem dos Assistentes Sociais e seis anos de experiência em estrutura residencial para pessoas idosas e apoio domiciliário. Responsável pelo acolhimento de 90 utentes, pela instrução de processos de complemento por dependência junto da Segurança Social e pela articulação com os cuidados de saúde primários da unidade de saúde da área. Procuro uma equipa na zona do Porto onde possa continuar a trabalhar com famílias cuidadoras.

Para quem acabou a licenciatura:

Licenciada em Serviço Social pelo ISCSP da Universidade de Lisboa, com estágio curricular de nove meses numa CPCJ, onde acompanhei 24 processos de promoção e proteção e participei na elaboração dos respetivos acordos. Inscrita na Ordem dos Assistentes Sociais como membro efetivo. Disponibilidade imediata para trabalho na Área Metropolitana de Lisboa, incluindo horário por turnos.

Repara no que estes dois parágrafos têm em comum: números, nomes de respostas sociais reais e uma indicação geográfica. Nenhum deles diz que a candidata é "dinâmica e proativa".

Reescreve a experiência: tarefas para fora, resultados para dentro

O erro mais comum nos currículos de serviço social é descrever a instituição em vez do trabalho. Compara:

Antes: Acompanhamento social de utentes e famílias. Depois: Acompanhei uma carteira de 65 utentes em apoio domiciliário, com plano individual revisto de seis em seis meses e articulação mensal com a equipa de enfermagem.

Antes: Elaboração de relatórios. Depois: Elaborei relatórios sociais para tribunal em 18 processos de promoção e proteção, todos entregues dentro do prazo fixado pela magistratura.

Antes: Trabalho em equipa multidisciplinar. Depois: Integrei a equipa técnica com psicóloga, terapeuta ocupacional e diretora técnica, com reunião semanal de discussão de casos e responsabilidade pela ligação à autarquia e à rede social local.

A diferença não é estilo. É que a segunda versão diz ao recrutador quantos casos consegues gerir, com quem articulas e a que ritmo trabalhas. Isso é exatamente o que ele precisa de saber para decidir se te chama.

Candidaturas ao setor público seguem outras regras

Se te candidatas a um agrupamento de escolas, a uma câmara municipal ou a uma unidade local de saúde, o processo é um procedimento concursal publicado no Diário da República e divulgado na Bolsa de Emprego Público. Em 2026 abriram vários, entre eles o Aviso n.º 13263/2026/2, de 1 de junho, para técnico superior de serviço social no Agrupamento de Escolas de Alcácer do Sal, e o Aviso n.º 14358/2026/2, de 11 de junho, para a mesma carreira no Agrupamento de Escolas de Esgueira.

Nestes concursos o currículo deixa de ser livre. Os avisos pedem, quase sem exceção, um curriculum vitae detalhado, atualizado, datado e assinado, com indicação das habilitações literárias, das funções exercidas e da formação profissional, e muitos acrescentam que deve seguir preferencialmente o modelo Europass. Não é uma sugestão: entregar noutro formato pode significar exclusão. Guarda por isso duas versões do teu documento, a moderna para IPSS e privados, e a versão Europass datada e assinada para concursos.

Formação contínua: só a que a vaga pede

Um currículo de assistente social com quatro páginas de ações de formação de três horas cada não impressiona ninguém. Escolhe o que se liga à vaga. Se o anúncio é de uma equipa de crianças e jovens, destaca formação em risco e perigo, em avaliação diagnóstica e em intervenção com famílias, porque foi precisamente "experiência profissional relevante (superior a 2 anos) em trabalho com crianças e/ou jovens no âmbito do risco e do perigo" que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa exigiu no anúncio já referido. Se é uma ERPI, põe à frente gerontologia, demências e cuidados paliativos.

Prepara os documentos que te vão pedir

O mesmo anúncio da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa listava o que era preciso submeter: currículo pessoal, certificado de habilitações literárias reconhecidas em Portugal, certificados de cursos de formação e comprovativo de inscrição no centro de emprego caso a pessoa esteja desempregada. Ter esta pasta pronta em PDF poupa-te dois dias de correria sempre que sai uma vaga com prazo curto.

Antes de enviares, verifica quatro coisas: o número de cédula está visível na primeira linha; cada experiência diz o público e a resposta social; o ficheiro chama-se com o teu nome e a função, e não "cv_final_2"; e o documento cabe em duas páginas. Se quiseres montar as secções sem lutar com a formatação, podes usar o editor da Laddro em criar currículo e exportar em PDF.

Uma última nota. Neste setor, quem lê o teu currículo costuma ser a diretora técnica ou a coordenadora da resposta social, não um departamento de recursos humanos. É alguém que faz o mesmo trabalho que tu e que reconhece de imediato quando alguém escreve por dentro da profissão. Escreve para essa pessoa.

Pronto para criar o teu currículo?

O editor guiado faz te as perguntas certas e escreve cada secção contigo. Modelos testados para ATS, sem página em branco, sem conta para começar.

Criar o teu currículo