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Currículo de comercial: exemplo, estrutura e os números que fecham a entrevista

Exemplo de currículo de comercial para o mercado português: estrutura, resumo profissional, competências de vendas e bullets com números que resultam.

7 min de leitura
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Vendas é uma das áreas com mais anúncios em Portugal. Só no Indeed havia mais de mil ofertas de comercial na região de Lisboa em fevereiro de 2026, e o Net-Empregos mantém a categoria Comercial e Vendas sempre entre as mais movimentadas do portal. Procura não falta. O que falta, quase sempre, é um currículo que prove resultados em vez de os prometer.

Um recrutador de vendas lê dezenas de candidaturas para o mesmo lugar e todas dizem o mesmo: orientado para objetivos, boa comunicação, espírito de equipa. Adjetivos não vendem. Números vendem. Este artigo mostra como estruturar um currículo de comercial para o mercado português, com um resumo profissional pronto a adaptar, uma secção de competências preenchida e um exemplo concreto de como transformar um bullet vago num bullet que fecha a entrevista.

O que um recrutador de vendas procura primeiro

Quem contrata comerciais quer responder a uma pergunta em poucos segundos: esta pessoa já vendeu o que eu preciso de vender, para quem eu vendo, e com que resultados. Um comercial de retalho que atende clientes ao balcão e um gestor de conta que faz ciclos de venda B2B de seis meses fazem trabalhos muito diferentes, mesmo que o título seja parecido. O teu currículo tem de deixar claro em que campo jogas.

As ofertas em Portugal costumam pedir experiência concreta. Nos anúncios de comercial no Indeed e no Net-Empregos aparecem requisitos como um ano de experiência como representante de vendas, três anos em atendimento comercial, ou mais de dois anos a gerir equipas de vendas B2B. Antes de escrever o currículo, lê cinco a dez anúncios reais da função que queres, em setores como telecomunicações, seguros, imobiliário, farmacêutica ou tecnologia, e sublinha as palavras que se repetem. São essas que o teu currículo tem de conter.

A estrutura que funciona para um comercial

Mantém uma ordem simples e previsível, para o recrutador encontrar tudo sem procurar:

  • Cabeçalho com nome, cidade (Lisboa, Porto, Braga, o que for), telemóvel, email profissional e link do LinkedIn.
  • Resumo profissional de três a quatro linhas, com o teu principal resultado de vendas logo à cabeça.
  • Experiência profissional por ordem cronológica inversa, cada função com bullets orientados a resultados.
  • Competências divididas entre técnicas de venda e ferramentas.
  • Formação e certificações relevantes.
  • Idiomas, que numa função comercial pesam mais do que parece.

Para um comercial com anos de casa, uma a duas páginas. Se estás a começar, uma página chega e sobra. Nunca deixes a experiência de vendas para o fim: é o que o recrutador quer ver primeiro.

Resumo profissional: exemplo pronto a adaptar

O resumo é a tua frase de abertura de venda. Tal como não abordarias um cliente com um discurso genérico, não abras o currículo com generalidades. Põe lá um número.

Exemplo para um comercial com experiência:

Comercial B2B com 6 anos de experiência em software e telecomunicações. Fechei em 2025 mais de 480 mil euros em novos contratos e cumpri 118 por cento do objetivo anual. Forte em prospeção a frio, gestão de carteira e negociação com decisores. Procuro uma função de account manager numa empresa de tecnologia em Lisboa ou em regime híbrido.

Exemplo para quem está a entrar na área e ainda não tem histórico de vendas:

Recém-licenciada em Gestão pela Universidade do Porto, com seis meses de atendimento comercial em loja onde ultrapassei em 15 por cento a meta mensal de vendas de acessórios. Habituada a lidar com objeções, a apresentar produtos e a fechar vendas ao balcão. Procuro a primeira função como comercial júnior no setor de retalho ou seguros.

Repara que o segundo exemplo não inventa resultados de topo. Usa o que tem, uma meta batida em loja, e mostra a mesma lógica: número, contexto, objetivo.

Competências: o que escrever e o que evitar

O referencial do curso de Técnico de Vendas do IEFP dá uma boa base do que o setor valoriza: técnicas de venda, gestão da força de vendas, análise de mercado e posicionamento, e comunicação adaptada a diferentes públicos. Traduz isso para competências concretas, e separa as técnicas de venda das ferramentas, porque o recrutador procura as duas coisas.

Técnicas de venda:

  • Prospeção a frio e qualificação de leads
  • Gestão de carteira de clientes e follow-up
  • Negociação e fecho
  • Venda consultiva e apresentação de propostas
  • Gestão de objeções e retenção de clientes

Ferramentas:

  • CRM (Salesforce, HubSpot ou Microsoft Dynamics, indica o que usaste)
  • Excel para reporting e pipeline
  • LinkedIn Sales Navigator

Evita listar traços de personalidade soltos como "dinâmico" ou "proativo". Se és proativo, isso deve estar visível nos resultados que escreves na experiência, não numa lista de palavras que qualquer pessoa pode copiar.

De um bullet fraco a um bullet que fecha a entrevista

É aqui que quase toda a gente perde a candidatura. Compara as duas versões da mesma experiência.

Antes:

Responsável pela venda de serviços a clientes empresariais e cumprimento de objetivos.

Isto não diz nada. Não há dimensão, não há resultado, não há prova. Podia ser qualquer comercial do país.

Depois:

Geri uma carteira de 60 clientes empresariais no setor de telecomunicações e gerei 320 mil euros de faturação em 2025, 112 por cento do objetivo, com uma taxa de renovação de contratos de 88 por cento.

A segunda versão responde às perguntas que o recrutador tem na cabeça: quantos clientes, que setor, quanto vendeste, contra que meta, e ficaram contigo. A fórmula é sempre a mesma: verbo de ação no passado, número, contexto, resultado contra objetivo. Aplica-a a cada linha da tua experiência.

Se não tens os números exatos, usa aproximações honestas. "Cerca de 50 clientes" é aceitável. Inventar 320 mil euros que nunca fizeste não é, porque na entrevista vais ter de explicar cada número, e um comercial que não sabe defender a própria proposta perde a venda ali mesmo.

Foto, tamanho e Europass: as regras em Portugal

Ao contrário de mercados como o alemão ou o holandês, em Portugal a fotografia no currículo ainda é comum e não te prejudica, sobretudo no setor privado. Se a incluíres, que seja profissional, com fundo neutro e boa luz, nada de selfies. Numa função comercial, em que a imagem e o à-vontade contam, uma boa foto pode até jogar a teu favor. Mas é opcional: um currículo sem foto não é penalizado.

Sobre o Europass, o modelo europeu com portal próprio em europass.pt, é aceite em concursos e em empresas mais tradicionais, mas muitos recrutadores portugueses já o acham datado e cansativo de ler por verem o mesmo formato centenas de vezes. Para uma candidatura comercial, onde queres destacar-te, um currículo limpo e bem desenhado costuma causar melhor impressão do que o Europass. Um construtor como o Laddro dá-te esse tipo de modelo sem teres de lutar com formatações no Word.

Erros que eliminam a candidatura de vendas

  • Zero números. Um comercial sem métricas no currículo levanta logo a suspeita de que não as tem. É o erro mais caro.
  • O mesmo currículo para todas as vagas. Um comercial de retalho e um gestor de conta B2B precisam de currículos diferentes. Adapta o resumo e os bullets a cada anúncio.
  • Email pouco profissional. Cria um email só com o teu nome. É o primeiro sinal de cuidado que dás.
  • Ignorar os idiomas. Muitas empresas em Lisboa e no Porto vendem para fora. Se falas inglês ou espanhol de nível comercial, diz-o e indica o nível.
  • Deixar a experiência de vendas soterrada. Se o recrutador tem de descer até ao fim da página para perceber o que vendeste, já perdeste a atenção dele.

Quanto ganha um comercial e o que fazer com esse número

Vale a pena saber o terreno antes de negociar. Segundo o Estudo de Remuneração 2026 da Michael Page, um gestor comercial em Portugal situa-se entre 25.000 e 35.000 euros brutos anuais, sem contar com a componente variável, que numa função de vendas pode pesar bastante no total. Usa esse intervalo como referência para as tuas expectativas, e no currículo deixa a variável de lado: os números que interessam ali são os resultados que geraste, não o que ganhaste.

Um bom currículo de comercial faz uma coisa só, mas fá-la bem: prova, com números que consegues defender, que já vendeste e que voltarás a vender. Reescreve cada bullet com a fórmula de verbo, número, contexto e resultado, adapta o resumo à vaga, e leva para a entrevista a mesma clareza com que escreveste. É essa clareza que fecha a venda seguinte, que é o teu próximo emprego.

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