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Dicas de CV

Currículo de técnico de radiologia: exemplo, cédula e comprovativos

Currículo de técnico de radiologia em Portugal: cédula da ACSS, modalidades, proteção radiológica e os comprovativos que o júri exige pela ordem do CV.

8 min de leitura
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Há uma diferença entre candidatares-te a uma reserva de recrutamento de TSDT numa unidade local de saúde e responderes a um anúncio da Affidea ou do Trofa Saúde. Numa delas não vais ter entrevista nenhuma.

O anúncio da reserva de recrutamento de Técnico Superior de Diagnóstico e Terapêutica na área de Radiologia da Unidade Local de Saúde da Região de Leiria, publicado a 27 de março de 2025, resume o processo em três palavras: "MÉTODOS DE SELEÇÃO: Avaliação curricular". Não há prova de conhecimentos, não há entrevista. O documento que envias por email é a totalidade do concurso. O mesmo anúncio fixa a remuneração em 1389,93 euros, a carga horária em 35 horas semanais e a validade da reserva em 18 meses.

Isto muda a forma como escreves. Um currículo de radiologia em Portugal não é um resumo simpático da tua vida profissional, é uma peça processual que alguém vai pontuar com uma grelha ao lado.

A primeira linha é o teu título profissional

O Decreto-Lei n.º 111/2017, de 31 de agosto, que estabelece o regime da carreira especial de TSDT, é claro no artigo 4.º, n.º 2: além do nível habilitacional exigido, o exercício de funções "depende da posse de título profissional emitido pela entidade competente". E o n.º 6 do mesmo artigo acrescenta que, no exercício e publicitação da atividade profissional, estes trabalhadores "devem sempre fazer referência ao título detido".

Traduzindo para o topo da folha: o teu nome, a seguir a profissão tal como está na cédula, e o número da cédula profissional emitida pela ACSS. Não escrevas "profissional de saúde com experiência em imagiologia". Escreve "Técnico de Radiologia, cédula profissional ACSS n.º XXXXX".

Há aqui uma subtileza que apanha muita gente formada nos últimos anos. A ACSS regula as profissões de diagnóstico e terapêutica ao abrigo do Decreto-Lei n.º 320/99, de 11 de agosto, e a profissão de técnico de radiologia continua a estar caracterizada em diploma próprio. Mas a licenciatura que hoje se tira na ESTeSL, na Universidade de Aveiro, na Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto ou na Coimbra Health School já não se chama Radiologia: chama-se Imagem Médica e Radioterapia. As páginas oficiais destes cursos descrevem-na como uma licenciatura de quatro anos e 240 ECTS que dá acesso às cédulas de radiologia, radioterapia e medicina nuclear.

Se tiraste a IMR, indica as duas coisas em linhas separadas: a designação exata do grau que consta do diploma e a cédula ou cédulas que efetivamente pediste. O júri não vai assumir que tens as três. E o anúncio da ULS da Região de Leiria avisa, em maiúsculas, que "será factor de exclusão a não apresentação dos comprovativos acima mencionados".

Cada afirmação precisa de um comprovativo, pela mesma ordem

Esta é a instrução mais subestimada de todo o anúncio de Leiria. Além do CV e dos certificados, a candidatura tem de incluir os "documentos comprovativos de declarações prestadas no curriculum vitae, em formato PDF, numa única pasta, onde os mesmos, deverão vir anexados por ordem de descrição no curriculum".

Ou seja: a ordem do teu currículo determina a ordem do dossiê. Se escreveres a formação em proteção radiológica antes do estágio em tomografia computorizada, os PDF têm de vir nessa sequência. E se escreveres alguma coisa que não consegues comprovar, essa linha fica a pairar sem documento por trás, o que é pior do que não a ter escrito.

Na prática, escreve o currículo ao mesmo tempo que abres a pasta dos certificados. Tudo o que não tiver papel sai. Um curso de 6 horas de que perdeste o certificado vale zero numa avaliação curricular, por muito útil que tenha sido. Se preferires montar a estrutura sem começar da folha em branco, podes fazê-lo em criar currículo e depois encaixar os teus números reais em cada secção.

As modalidades pesam mais do que os anos

No privado a lógica é outra, mas o critério concreto é o mesmo: que equipamento é que já operaste sozinho.

Em setembro de 2026, o Net-Empregos tinha 21 ofertas de técnico de radiologia publicadas entre os dias 4 e 22, com a Affidea em Setúbal, o Grupo Trofa Saúde em Viana do Castelo, Braga e Lisboa, o Egas Moniz em Lisboa, a Beatriz Godinho Saúde em Santarém e o Centro Médico da Praça em Aveiro. Os anúncios do Trofa Saúde pedem cédula profissional válida, um mínimo de um ano de experiência, de preferência em contexto hospitalar, e descrevem a função como a realização autónoma de exames em radiologia convencional, tomografia computorizada e ressonância magnética.

Um currículo que diz "experiência em imagiologia" não responde a isso. Um que diz o seguinte, responde:

Radiologia convencional e portátil, TC (Siemens Somatom, protocolos de urgência e TC de tórax), RM 1,5 T (neuro e musculoesquelético), mamografia digital e densitometria óssea.

Nomeia a marca e a geração do equipamento quando souberes. Um serviço que acabou de instalar uma RM de 3 T lê "1,5 T" e já sabe quanto tempo de adaptação vai precisar de te dar. É informação útil para ambos os lados, não é um risco.

Proteção radiológica: a secção que quase ninguém escreve

O regime jurídico da proteção radiológica obriga o titular da instalação a classificar cada trabalhador exposto. Segundo o guião de fiscalização publicado pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde em janeiro de 2024, ficam na categoria A os trabalhadores suscetíveis de receber uma dose efetiva superior a 6 mSv por ano, ou uma dose equivalente superior a 15 mSv por ano para o cristalino do olho, ou superior a 150 mSv por ano para a pele e as extremidades dos membros; os restantes ficam na categoria B. O mesmo guião indica que a monitorização individual por serviço de dosimetria é mensal para a categoria A e trimestral para a categoria B, e que o empregador tem de disponibilizar programas de formação e informação em matéria de proteção contra radiações.

Nada disto é opcional para quem te contrata, e quase nenhum currículo de radiologia lhe faz referência. Duas linhas chegam:

Trabalhador exposto de categoria A desde 2021, dosimetria mensal sem ocorrências. Formação em proteção radiológica e em otimização de dose pediátrica (2024, 16 horas).

O Decreto-Lei n.º 111/2017 até prevê, no artigo 5.º, n.º 2, alínea e), que os TSDT participem "em processos de licenciamento de equipamentos e infraestruturas na área da respetiva profissão". Se já participaste num licenciamento, num controlo de qualidade ou numa auditoria à sala, isso é uma linha de currículo que quase nenhum concorrente tem.

Um exemplo reescrito, linha a linha

Antes, aquilo que a maioria envia:

Técnico de radiologia no hospital, responsável pela realização de exames de imagiologia e apoio à equipa médica.

Depois, a mesma pessoa, com as mesmas funções:

Técnico de Radiologia, ULS de Aveiro, Serviço de Imagiologia. Março de 2021 a setembro de 2026. Realização autónoma de cerca de 40 exames por turno em radiologia convencional, TC e RM, em escala de urgência 24 horas. Preparação e vigilância do utente durante o exame, incluindo administração de produto de contraste iodado sob protocolo e registo de reações adversas. Elemento do grupo de controlo de qualidade do serviço: verificações diárias do equipamento de TC e registo de não conformidades. Orientação de 4 estudantes de Imagem Médica e Radioterapia em ensino clínico (2023 a 2025).

Os números do exemplo são ilustrativos e tens de os substituir pelos teus, tirados da produção do serviço. Mas repara no que a segunda versão faz: não inventa nada. Apenas responde ao conteúdo funcional que o artigo 9.º do Decreto-Lei n.º 111/2017 atribui à categoria, que inclui preparar e esclarecer o doente, assegurar a vigilância durante o exame, assegurar a manutenção dos materiais e equipamentos e "colaborar no processo de desenvolvimento de competências de estudantes do ensino superior das áreas profissionais respetivas".

Público e privado leem currículos diferentes

Para concursos e reservas de recrutamento das ULS, vai ao seco: ordem cronológica inversa, datas com mês e ano, formação com carga horária em horas, tudo comprovável. O guia oficial do Europass em Portugal avisa que "por norma os empregadores despendem menos de 1 minuto com a análise de CVs para efetuar a primeira triagem dos candidatos", e num júri que avalia dezenas de candidaturas esse minuto é literal.

Para o privado, mantém a mesma espinha mas acrescenta um parágrafo curto no topo com as modalidades, a disponibilidade para turnos e a zona geográfica. A bolsa de emprego da APIMR, a associação da área, é onde aparecem primeiro os anúncios das unidades públicas, incluindo em 2026 vagas na ULS Entre Douro e Vouga e na ULS do Litoral Alentejano para Odemira e Alcácer do Sal. São locais onde a disponibilidade para deslocação decide mais do que o currículo.

Categorias, anos e o que muda já

A carreira tem três categorias no artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 111/2017: técnico superior das áreas de diagnóstico e terapêutica, especialista e especialista principal. O artigo 8.º exige, no mínimo, seis anos de experiência efetiva de funções na categoria para passar a especialista, e mais seis anos como especialista para chegar a especialista principal.

Por isso as datas exatas importam. Escreve sempre mês e ano de início e de fim, e separa períodos em instituições diferentes em vez de os agregar. Um "2019 a 2026" arredondado pode custar-te meses de contagem.

O Governo anunciou a 29 de julho de 2026 um acordo com o SINDITE e o SINTAP que prevê uma valorização remuneratória faseada em 2026 e 2027 e a mudança da designação da carreira para especialistas das áreas de diagnóstico e terapêutica, com novas categorias de coordenador e de diretor. Enquanto a alteração não estiver publicada, usa no currículo a designação que consta da tua cédula e do teu contrato. Um título que ainda não existe em diploma é uma linha que não consegues comprovar, e já sabes o que acontece a essas.

No fim, o currículo de radiologia que passa é o mais aborrecido de ler e o mais fácil de verificar: cédula no topo, equipamento com nome, datas ao mês, formação com horas e uma pasta de PDF que segue exatamente a ordem do texto. Quem avalia não está à procura de uma boa história. Está à procura de alguém que possa entrar na sala amanhã de manhã.

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