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Dicas de CV

Currículo de cozinheiro: exemplo, estrutura e o que o chefe procura

Exemplo de currículo de cozinheiro em Portugal: estrutura, resumo, como descrever a partida, certificado HACCP, salários atuais e onde estão as vagas.

8 min de leitura
Illustration for Currículo de cozinheiro: exemplo, estrutura e o que o chefe procura

Poucas profissões em Portugal estão tão à procura de gente como a cozinha. Segundo dados do INE citados pelo jornal SOL em junho de 2026, o canal HORECA atingiu no primeiro trimestre de 2026 o valor de emprego mais alto dos últimos onze anos, com 343.100 trabalhadores, mais 26.400 do que no mesmo período de 2025. Ana Jacinto, secretária-geral da AHRESP, diz no mesmo artigo que as funções operacionais de cozinha continuam entre as mais difíceis de preencher.

Traduzindo: se sabes trabalhar numa cozinha, há vagas. O que não há é paciência para currículos que dizem "confeção de refeições" e mais nada. Este guia mostra te, secção a secção, como montar um currículo de cozinheiro que faz um chefe pegar no telefone, e termina com um exemplo que podes copiar.

O que o chefe lê primeiro

Quem seleciona não é um departamento de recursos humanos. Na maioria das casas é o chefe de cozinha ou o subchefe, muitas vezes a ler candidaturas entre o serviço de almoço e o de jantar. São quatro as coisas que procura, por esta ordem.

Primeiro, em que tipo de cozinha trabalhaste. Um cozinheiro de restaurante à la carte, um de hotel com pequenos-almoços e banquetes e um de restauração coletiva que faz mil refeições por dia numa cantina ou num lar fazem trabalhos diferentes. Diz logo qual é o teu.

Segundo, o volume. Quantos covers por serviço, quantas refeições por dia, quantos lugares tinha a sala. Sem isto, "cozinheiro num restaurante em Setúbal" não diz nada.

Terceiro, a partida. Se já foste responsável por entradas, carnes, peixes, molhos ou sobremesas, escreve o. É a linguagem que qualquer cozinha entende e é o que decide onde te encaixam na brigada.

Quarto, higiene e segurança alimentar. O Regulamento (CE) n.º 852/2004, que a ASAE fiscaliza em Portugal, obriga as empresas do setor alimentar a garantir que quem manipula alimentos tem instrução ou formação em higiene dos géneros alimentícios. Na prática, um certificado de HACCP no teu currículo poupa trabalho a quem te contrata.

A ordem certa das secções

Uma página, sempre, a menos que tenhas mais de dez anos de casas relevantes. A ordem que funciona:

  1. Contactos: nome, telemóvel, email, concelho onde vives e carta de condução se tiveres
  2. Resumo profissional, duas a três linhas
  3. Experiência profissional, da mais recente para a mais antiga
  4. Competências técnicas de cozinha
  5. Formação e certificados
  6. Línguas
  7. Disponibilidade

A formação académica só sobe na página se tiveres um curso de cozinha. Nas ofertas de cozinheiro publicadas no iefponline, o portal do IEFP, a habilitação mínima pedida anda com frequência no 6.º ou no 9.º ano, portanto o secundário não é o teu argumento de venda. A tua experiência é.

O resumo profissional, com exemplo

Duas linhas que resumem quem és tecnicamente. Compara:

Versão fraca: "Cozinheiro responsável e dinâmico, com gosto pela área e vontade de integrar uma equipa jovem."

Versão que resulta: "Cozinheiro com 6 anos em cozinha de restaurante à la carte e hotel de 4 estrelas. Responsável pela partida de peixes em serviços de 90 a 120 covers, com fichas técnicas e controlo de HACCP. Certificado de higiene e segurança alimentar renovado em 2025."

A segunda diz ao chefe qual é o teu lugar na brigada antes de ele ler mais uma linha. Não usa um único adjetivo e mesmo assim é mais convincente.

Experiência: partida, volume e um número

O erro mais repetido nos currículos de cozinha é descrever a função em vez do trabalho. Repara na diferença:

Bullet fraco: "Confeção de refeições e apoio na cozinha."

Bullet que resulta: "Responsável pela partida de carnes em serviços de 90 a 120 covers, com mise en place diária para 40 doses e empratamento em linha com o chefe."

Uma entrada completa que podes copiar e adaptar:

Cozinheiro de 1.ª · Hotel Ribeira Douro, Porto · Fev. 2023 até ao presente

  • Partida de peixes num restaurante de hotel de 4 estrelas, com serviços de 90 a 120 covers ao jantar
  • Mise en place e confeção do buffet de pequeno-almoço para uma média de 150 hóspedes
  • Elaboração de fichas técnicas de 20 pratos da carta de outono, com cálculo de custo por dose
  • Receção e verificação de mercadoria, controlo de temperaturas e registos de HACCP diários
  • Formação de dois ajudantes de cozinha nas rotinas de higiene e de corte

Cozinheiro de 2.ª · Restauração coletiva, cantina escolar em Gaia · Set. 2020 a Jan. 2023

  • Produção de 800 a 1000 refeições por dia em regime de cozinha central, com regeneração
  • Cumprimento de ementas semanais aprovadas por nutricionista, incluindo dietas sem glúten e sem lactose
  • Registos de HACCP e recolha de amostras testemunha segundo o plano da unidade

Duas casas, duas realidades diferentes, e em ambas se percebe o volume, a responsabilidade e o rigor. É exatamente isso que separa um currículo de cozinha de uma lista de empregos.

Competências técnicas que vale a pena listar

Nada de "trabalho em equipa" e "resistência ao stress" soltos no ar. A Randstad Portugal, na sua ficha de carreira de cozinheiro, resume as competências da função à combinação de sabores, à resistência à pressão, à criatividade quando falta um ingrediente e ao trabalho com o resto da brigada. Isso prova se com factos, não com palavras. Numa lista de competências, escreve antes coisas verificáveis:

  • Partidas onde já trabalhaste: entradas, carnes, peixes, molhos, pastelaria
  • Técnicas: cozedura a baixa temperatura, sous vide, grelha de carvão, forno combinado
  • Fichas técnicas, cálculo de custo por dose e controlo de desperdício
  • Gestão de economato, receção de mercadoria e rotação de stock pelo método FIFO
  • HACCP: registos de temperaturas, amostras testemunha, plano de higienização
  • Tipos de serviço: à la carte, buffet, banquetes, take away, cozinha central

Se já cobriste turnos como responsável na ausência do chefe, escreve o numa linha da experiência. Vale mais do que qualquer adjetivo.

Formação e certificados

Nesta área um papel prático pesa mais do que o percurso escolar.

O certificado de higiene e segurança alimentar é o primeiro. Muitas casas pedem no ato da contratação, pela obrigação que o Regulamento (CE) n.º 852/2004 impõe ao empregador. Coloca o com o nome da entidade formadora e o ano.

Depois vem a formação de cozinha propriamente dita. Os cursos de Técnicas de Cozinha e Pastelaria das escolas do Turismo de Portugal e as formações do IEFP são reconhecidos em todo o país e abrem portas em hotelaria. A Randstad Portugal refere que o percurso de Cozinheiro Profissional Independente de nível 3 leva, por norma, entre dois e quatro anos, o que dá uma ideia do peso que essa certificação tem numa candidatura.

Se não tens nenhum destes, escreve na mesma o que sabes fazer e junta uma formação curta de higiene alimentar. Resolve se em poucas horas e muda a leitura do currículo.

Foto, formato e tamanho

A foto é opcional em Portugal e, para uma vaga de cozinha, é indiferente. Se a puseres, que seja tipo passe e sóbria.

O tamanho é uma página. PDF simples, secções claras, sem gráficos nem barras de percentagem a avaliar as tuas competências. Grupos de restauração maiores e cadeias hoteleiras usam sistemas automáticos para triar candidaturas, e um layout limpo garante que o texto é lido de ponta a ponta. O modelo Europass fica para concursos públicos e programas europeus, onde por vezes é exigido, mas no privado da restauração ninguém o pede.

Onde estão as vagas

O Turijobs é o portal especializado em turismo e hotelaria e tinha 235 ofertas de cozinheiro publicadas em Portugal no momento em que este artigo foi escrito, desde um restaurante em Tomar a pedir dois a três anos de experiência até vagas de chefe de partida para unidades de cinco estrelas. O Net-Empregos e o Sapo Emprego concentram muita restauração independente. O Indeed Portugal agrega quase tudo. E o iefponline publica as ofertas registadas nos centros de emprego, incluindo contratos sem termo em concelhos onde os portais privados quase não chegam.

Fora dos portais, a candidatura em mão continua a funcionar na restauração portuguesa. No Algarve e nas zonas de praia, boa parte da contratação de época faz se assim, entre maio e junho, com o currículo entregue de porta em porta a meio da tarde, quando a cozinha está parada.

Quanto podes pedir

Entra na conversa com números. A AHRESP atualizou em fevereiro de 2026 as tabelas salariais do contrato coletivo assinado com o SITESE para a restauração e bebidas, com um aumento médio de cerca de 5 por cento em todas as categorias e tendo em conta o salário mínimo nacional fixado em 920 euros. Nessa revisão, as categorias que começavam por "Empregado" passaram a chamar se "Assistente", uma mudança que já aparece em muitos anúncios.

Sobre o valor real, a Randstad Portugal indica que um cozinheiro a tempo inteiro, em 40 horas semanais, ganha em média cerca de 1250 euros por mês, com uma amplitude entre 9975 e 20 mil euros anuais, e que profissionais experientes ultrapassam os 2000 euros mensais. A estes valores soma se o subsídio de alimentação e, em muitas casas, a refeição ao serviço. Saber isto evita que respondas "o que for da tabela" quando o chefe perguntar quanto queres ganhar.

Antes de enviares

Lê o teu currículo como se fosses o chefe. Consegues dizer, só pela primeira meia página, em que partida esta pessoa trabalha, que volume aguenta e se sabe o que é um registo de temperaturas? Se sim, está pronto. Se não, falta lá um número.

Se a página em branco te trava, o editor da Laddro faz te as perguntas certas para cada secção, sugere frases para a experiência e entrega um PDF limpo. Adaptas o a cada vaga em poucos minutos e ficas com uma versão para hotelaria e outra para restauração coletiva.

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