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Networking em Portugal: a importância do "conhecer alguém"

Em Portugal, as relações pessoais pesam muito no acesso ao emprego. Mas há formas éticas de construir uma rede. Aqui estão as melhores.

5 min de leitura
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Em Portugal, o "conhecer alguém" é frequentemente visto com desconfiança. A cunha e o compadrio são problemas reais e historicamente enraizados, especialmente no setor público e nas estruturas de poder local. Mas networking profissional e cunha não são a mesma coisa. Enquanto a cunha envolve favorecimento indevido, o networking é a construção legítima de relações profissionais baseadas em valor mútuo, confiança e competência.

E os números mostram que estas relações contam. Segundo dados do LinkedIn Economic Graph, cerca de 70% das vagas a nível global são preenchidas através de contactos profissionais e não apenas por candidaturas formais. Em Portugal, onde o mercado de trabalho é mais pequeno e as relações pessoais pesam muito, esta percentagem pode ser ainda mais elevada. Um estudo da Randstad de 2024 sobre o mercado português confirmou que as referências internas são o segundo canal mais eficaz de recrutamento, logo após os portais de emprego.

A diferença entre networking e cunha

Vale a pena esclarecer esta distinção, porque em Portugal a confusão é frequente. A cunha implica que alguém é contratado ou promovido sem ter mérito, por favor pessoal ou relação familiar. O networking, por outro lado, funciona assim: conheces alguém na tua área, essa pessoa conhece o teu trabalho e, quando surge uma oportunidade, recomenda-te porque sabe que és competente.

A diferença é simples: na cunha, a relação substitui o mérito. No networking, a relação dá visibilidade ao mérito. O artigo 24.º do Código do Trabalho garante o direito à igualdade no acesso ao emprego e proíbe discriminação. O networking ético opera dentro destes limites legais.

Onde fazer networking em Portugal

LinkedIn

O LinkedIn é a plataforma profissional dominante em Portugal, com mais de 4 milhões de utilizadores portugueses registados (dados LinkedIn, 2025). É onde recrutadores, gestores e profissionais de todos os setores estão presentes. Mas ter perfil não é suficiente. Para que o LinkedIn funcione como ferramenta de networking, precisas de ser ativo:

  • Comenta publicações relevantes do teu setor com opiniões fundamentadas, não apenas "Concordo!" ou emojis.
  • Partilha conteúdo original sobre a tua área de especialização, mesmo que sejam reflexões breves.
  • Envia mensagens personalizadas quando te conectas com alguém. Um "Gostei do teu artigo sobre X" vale mais do que um pedido de conexão genérico.
  • Participa em grupos sectoriais portugueses. Existem grupos ativos para quase todas as áreas, desde tecnologia a recursos humanos, passando por engenharia e marketing.

Eventos presenciais e conferências

Portugal tem um ecossistema crescente de eventos profissionais. O Web Summit, que se realiza em Lisboa desde 2016, é o mais mediático, mas não é o único. Existem conferências sectoriais relevantes como o SAPO Codebits (tecnologia), o Building the Future (inovação), o HR Portugal Summit (recursos humanos) e o Portugal Real Estate Summit (imobiliário).

Para além das grandes conferências, os meetups locais são muitas vezes mais eficazes para networking genuíno. Em Lisboa e Porto, existem meetups regulares de tecnologia (Python, JavaScript, Data Science), marketing digital, design e empreendedorismo. Plataformas como Meetup.com e Eventbrite listam estes eventos. A vantagem dos meetups é o formato mais pequeno, que permite conversas reais em vez de apenas assistir a palestras.

Redes de alumni

As redes de antigos alunos são particularmente fortes em Portugal, onde o prestígio da instituição de ensino ainda pesa muito. Universidades como a Nova SBE, a Católica Lisbon, o ISEG, a FEUP, o IST e a Universidade de Coimbra têm associações de alumni ativas que organizam eventos, mentorias e programas de ligação ao mercado de trabalho.

Se estudaste numa destas instituições, ativa a tua rede de alumni. Se não, considera frequentar formações executivas ou pós-graduações curtas nestas instituições, pois o acesso à rede de alumni é muitas vezes um dos maiores retornos do investimento.

Associações profissionais e ordens

Portugal tem um sistema robusto de ordens profissionais (Ordem dos Engenheiros, Ordem dos Advogados, Ordem dos Médicos, entre outras) e associações sectoriais (APDC para o digital, AEP para empresários, ANJE para jovens empresários). Estas organizações promovem eventos, conferências e grupos de trabalho que são excelentes oportunidades de networking dentro da tua área.

A inscrição na ordem profissional é obrigatória para certas profissões reguladas, mas mesmo quando é opcional, a participação ativa nestas estruturas dá-te acesso a contactos e informação que de outra forma seriam difíceis de obter.

Estratégias práticas para networking eficaz

Dá antes de pedir. A regra de ouro do networking é criar valor antes de o solicitar. Partilha informação útil, faz apresentações entre contactos, ajuda sem esperar retorno imediato. Em Portugal, onde a reciprocidade social é forte, este comportamento é particularmente eficaz.

Sê consistente. O networking não é um evento, é um hábito. Dedica 15 a 20 minutos por dia a interagir no LinkedIn, a responder a mensagens ou a participar em discussões online. Os resultados acumulam-se ao longo de meses.

Mantém contacto. Depois de conheceres alguém num evento, envia uma mensagem de follow-up nas 48 horas seguintes. Referencia algo específico da conversa que tiveram. Sem follow-up, o contacto perde-se.

Tem um pitch claro. Quando alguém te pergunta "O que fazes?", deves ter uma resposta clara e concisa. Não um monólogo de cinco minutos, mas duas a três frases que expliquem quem és, o que fazes e o que procuras.

Para brasileiros em Portugal

Se és brasileiro a viver em Portugal, o networking é especialmente importante. Segundo dados do SEF/AIMA, a comunidade brasileira em Portugal ultrapassa os 400 mil residentes legais, tornando-se a maior comunidade estrangeira no país. Isto é simultaneamente uma vantagem e uma armadilha.

A vantagem é que a comunidade brasileira é forte e solidária. A armadilha é ficares apenas dentro dessa bolha. Para progredir no mercado de trabalho português, precisas de integrar-te nas redes profissionais locais. Participa em eventos portugueses, conecta-te com profissionais portugueses no LinkedIn e procura mentores que conheçam bem o mercado local.

A língua comum facilita, mas as diferenças culturais no mundo do trabalho são reais. O estilo de comunicação mais direto e reservado dos portugueses no contexto profissional pode parecer frio, mas é simplesmente diferente. Adaptar-te a estas diferenças fará toda a diferença na tua integração profissional.

Networking e procura de emprego: a combinação vencedora

O networking é mais eficaz quando combinado com uma procura de emprego organizada. Não substituis candidaturas formais por contactos, nem substituis contactos por candidaturas. Usas ambos em conjunto. A tua rede pode informar-te de vagas antes de serem publicadas, dar-te contexto sobre a cultura de uma empresa ou recomendar-te diretamente a um recrutador. Mas precisas igualmente de uma estratégia de candidaturas estruturada.

Combina a construção da tua rede profissional com uma procura organizada em Laddro. Os contactos abrem portas, mas a preparação é o que te faz entrar.

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