Perguntas de entrevista de emprego e respostas: os exemplos que convencem
As perguntas mais comuns numa entrevista em Portugal e como responder com o método STAR. Exemplos prontos, a pergunta do salário e o que perguntar tu.
Laddro Team

Recebeste o email a marcar a entrevista e agora vem a parte que tira o sono: o que vão perguntar e o que respondes. A boa notícia é que a maioria das entrevistas em Portugal gira à volta das mesmas seis ou sete perguntas. Não há truques secretos. Há preparação. Quem chega com respostas pensadas passa uma imagem de confiança, e quem improvisa nota-se logo.
Este guia junta as perguntas que vão mesmo surgir, com respostas modelo que podes adaptar. Sem frases feitas de manual, sem decorar textos. A ideia é que saias daqui a saber o que dizer quando o recrutador se cala e olha para ti à espera.
Como funciona uma entrevista em Portugal hoje
O Instituto do Emprego e Formação Profissional descreve a entrevista como o momento em que candidato e empregador trocam informação, e em que a empresa procura perceber se encaixas na função (Guia de Apoio à Procura de Emprego, IEFP). Na prática, isto significa que a conversa tem dois lados. Tu não estás só a ser avaliado. Estás também a avaliar se queres aquele trabalho.
Duas coisas mudaram nos últimos anos. Primeiro, as entrevistas online passaram a coexistir com as presenciais, e muitas empresas fazem uma primeira triagem por vídeo antes de te chamarem ao escritório. Segundo, cresceu a chamada entrevista comportamental, em que o recrutador pede exemplos concretos do teu passado para prever como vais agir no futuro. A Adecco e a Randstad, duas das maiores empresas de recrutamento a operar em Portugal, recomendam preparar estes exemplos com antecedência, porque respostas vagas não convencem ninguém.
Há ainda uma novidade importante do lado do salário. A Diretiva (UE) 2023/970 sobre transparência salarial tinha prazo de transposição até 7 de junho de 2026, segundo a análise da Fieldfisher e da Great Place To Work Portugal. Entre outras coisas, dá aos candidatos o direito de conhecer a banda salarial antes da entrevista e proíbe as empresas de perguntarem o teu histórico de salários. Voltamos a isto mais abaixo, porque muda a forma como respondes à pergunta do dinheiro.
"Fale-me de si": a pergunta que abre quase tudo
Esta é quase sempre a primeira pergunta, e a Michael Page Portugal confirma-o na sua lista das perguntas mais comuns. O erro clássico é contar a vida desde o liceu. O recrutador não quer a tua biografia. Quer uma síntese de dois minutos que ligue o teu percurso à vaga.
Um bom formato: onde estás agora, o que fazes bem, e porque isso interessa para esta função. Fecha com uma frase sobre o que procuras a seguir.
Exemplo para uma vaga de assistente administrativo:
"Trabalho há três anos na receção e apoio administrativo de uma clínica no Porto, onde faço a gestão de agendas, faturação e atendimento. Ganhei muito à-vontade a lidar com software de gestão e com pessoas em situações de stress. Candidatei-me a esta vaga porque quero passar para uma organização maior, onde possa assumir também a parte de gestão documental, que é a área em que me sinto mais forte."
Repara que não há adjetivos vazios como "dinâmica" ou "proativa". Há factos: três anos, receção, faturação, Porto. Factos ganham a entrevistas.
"Porque quer trabalhar connosco?"
Aqui percebe-se num segundo quem fez o trabalho de casa. A resposta "porque procuro uma nova oportunidade" mata a candidatura na hora. A Michael Page sugere demonstrar que conheces a história, a visão e os valores da empresa, e ligar isso às tuas qualificações.
Antes da entrevista, gasta vinte minutos no site da empresa, na página de LinkedIn e em notícias recentes. Se encontraste a vaga no Net-Empregos, no Sapo Emprego ou no IEFP online, volta ao anúncio e sublinha as duas ou três responsabilidades principais. A tua resposta deve referir algo específico.
"Segui o crescimento da vossa operação de logística no norte e vi que abriram um segundo armazém em Braga este ano. É exatamente o tipo de operação em expansão onde a minha experiência em gestão de stocks pode ter impacto desde o primeiro mês."
Pontos fortes e pontos fracos
O ponto forte é fácil de responder mal por excesso de modéstia ou de arrogância. Escolhe uma qualidade que a vaga precisa e sustenta-a com um exemplo curto. "O meu ponto forte é a organização" vale pouco. "Sou a pessoa que na equipa fica com o mapa de tarefas porque consigo manter dez processos a andar sem deixar cair nenhum" já mostra alguma coisa.
O ponto fraco é uma armadilha. Tanto a Michael Page como o IEFP avisam contra a resposta "sou perfecionista", que toda a gente usa e nenhum recrutador acredita. Escolhe uma limitação real que estejas a trabalhar para corrigir, de preferência algo que não seja central para a função.
"Durante muito tempo evitei falar em público e isso limitava-me nas reuniões. No ano passado inscrevi-me num grupo de Toastmasters em Lisboa e já apresento os relatórios mensais à equipa sem problema. Ainda não é o meu ponto forte, mas deixou de ser um obstáculo."
Isto é honesto, mostra consciência e mostra ação. É tudo o que o recrutador quer ver nessa pergunta.
Perguntas comportamentais e o método STAR
Quando ouvires "conte-me sobre uma vez em que..." ou "dê-me um exemplo de uma situação em que...", entraste em terreno comportamental. É aqui que o método STAR salva entrevistas. STAR são as iniciais de Situação, Tarefa, Ação e Resultado, e serve para dar estrutura a uma resposta que de outra forma sairia confusa. A Edenred e a Adecco descrevem-no como a forma recomendada de estruturar estas respostas em Portugal.
Vê a diferença. Pergunta: "Fale-me de uma vez em que teve de lidar com um prazo apertado."
Resposta fraca: "Sim, já aconteceu várias vezes. Sou boa a trabalhar sob pressão e consigo sempre organizar-me para cumprir."
Resposta com STAR:
"Situação: No ano passado, uma colega da equipa de faturação foi de baixa a três dias do fecho do trimestre. Tarefa: Fiquei responsável por processar cerca de duzentas faturas atrasadas sozinha antes do prazo da contabilidade. Ação: Reorganizei a minha semana por prioridades, automatizei parte do trabalho num modelo de Excel que já usava e pedi ao meu chefe para adiar duas reuniões não urgentes. Resultado: Fechámos o trimestre a horas, sem erros, e o modelo que criei passou a ser usado por toda a equipa nos fechos seguintes."
A segunda resposta demora quarenta segundos e dá ao recrutador provas em vez de promessas. Prepara dois ou três exemplos assim antes da entrevista, porque quase todas as perguntas comportamentais encaixam num deles: um conflito resolvido, um erro que corrigiste, um objetivo que ultrapassaste.
A pergunta do salário
Mais cedo ou mais tarde chega "quais são as suas expectativas salariais?". Com a nova diretiva de transparência salarial, a empresa deve indicar a banda salarial no anúncio ou antes da entrevista, e não te pode perguntar quanto ganhas hoje. Usa isso a teu favor.
Se o anúncio já traz a banda, por exemplo entre 18.000 e 22.000 euros brutos anuais, ancora a tua resposta a esse intervalo em vez de atirar um número às cegas.
"Vi que a banda para esta função está entre 18.000 e 22.000 euros brutos anuais. Com a minha experiência de cinco anos na área, situo-me na parte de cima desse intervalo, mas quero primeiro perceber melhor o âmbito das responsabilidades antes de fechar um número."
Se não houver banda nenhuma, faz o teu trabalho de casa com dados públicos. Consulta os valores da tua função em portais de emprego e cruza com a mediana salarial nacional divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística, para saber se o que pedes é realista. Nunca dês um número que não consigas justificar.
As perguntas que deves fazer tu
No fim, o recrutador quase sempre pergunta "tem alguma questão para mim?". Responder "não, ficou tudo claro" é um desperdício. Este é o momento de mostrares que estás a avaliar a empresa e não apenas a pedir emprego. Prepara três perguntas, como por exemplo:
- Como é medido o sucesso nesta função nos primeiros seis meses?
- Como está organizada a equipa e a quem reporto diretamente?
- Que desafio maior é que a pessoa que ocupar este lugar vai encontrar já no início?
Perguntas sobre o trabalho em si passam uma imagem muito melhor do que perguntas só sobre férias e horários, que ficam para uma fase mais avançada do processo.
Os erros que custam a vaga
Depois de tanta preparação, não deites tudo a perder no básico. Confirma o local e a hora na véspera, e nas entrevistas por vídeo testa a câmara e o som antes. Releva o teu próprio currículo, porque vais ser questionado sobre o que lá escreveste e não podes hesitar. Leva perguntas, não leves respostas decoradas palavra a palavra. E lembra-te de que a pontualidade em Portugal conta a sério: chegar dez minutos antes é o padrão, chegar em cima da hora já deixa má impressão.
A entrevista não é um interrogatório. É uma conversa com estrutura. Se levares dois ou três exemplos STAR bem preparados, souberes porque queres aquele lugar e tiveres perguntas próprias, já estás à frente da maioria dos candidatos. O resto é praticar em voz alta, nem que seja com um familiar ou ao espelho, até as respostas saírem com naturalidade.
Quando a entrevista correr bem, garante que o currículo que a motivou está à altura. Com a Laddro crias um currículo claro, testado para os filtros ATS, e uma carta de apresentação que abre a porta em primeiro lugar.