Currículo de técnico de emergência pré-hospitalar: exemplo e estrutura
Como fazer o currículo de técnico de emergência pré-hospitalar: requisitos do INEM, cursos TAS e TAT, resumo pronto a adaptar e bullets de experiência.
Laddro Team

Quem trabalha na emergência pré-hospitalar em Portugal candidata-se, na prática, a dois mundos diferentes. De um lado está o INEM, que recruta por procedimento concursal, com formulário eletrónico obrigatório e um júri que pontua a tua formação e os teus anos de serviço segundo uma fórmula escrita no aviso. Do outro lado estão as associações humanitárias de bombeiros, a Cruz Vermelha Portuguesa, as Misericórdias, as empresas de ambulâncias privadas e os serviços de urgência que contratam tripulantes durante todo o ano. O mesmo PDF raramente serve para os dois. Este guia mostra como montar um currículo que passa nos dois sítios, com as secções pela ordem certa e exemplos que podes copiar e adaptar.
Quem contrata e onde aparecem as vagas
O INEM publica os seus procedimentos concursais na Bolsa de Emprego Público, em bep.gov.pt, e na própria página de recrutamento em inem.pt. Em julho de 2025, o INEM anunciou a abertura de 200 vagas de técnico de emergência pré-hospitalar para a Delegação Regional de Lisboa, Vale do Tejo e Alentejo, com candidaturas até 29 de julho. Nesse mesmo anúncio, o INEM indicou que o vencimento de entrada corresponde ao nível 10 da Tabela Remuneratória Única, ou seja, 1.126,70 euros mensais antes de descontos.
Fora do INEM, as ofertas para tripulante de ambulância aparecem no Net-Empregos, no iefponline do IEFP, nas páginas das corporações de bombeiros de cada concelho e nos sites das empresas de transporte de doentes. Em Lisboa, Porto, Braga, Coimbra e Faro há renovação constante nestes lugares, sobretudo para turnos de fim de semana e noite. Vale a pena candidatares-te diretamente na secretaria da corporação: muitas vagas de socorro nunca chegam a ser anunciadas online.
Os requisitos que são verificados antes de alguém ler o teu currículo
No recrutamento de técnicos de emergência pré-hospitalar, o INEM exigiu ter 18 anos completos, o 12.º ano de escolaridade ou equivalente legal, carta de condução de tipo B com autorização para conduzir veículos do grupo 2, e robustez física e perfil psíquico indispensáveis ao exercício das funções. Estes quatro pontos são eliminatórios e devem estar visíveis logo na primeira metade da primeira página, não escondidos no fim.
A carreira mudou recentemente. O Decreto-Lei n.º 60/2025, de 2 de abril, reviu a antiga carreira de técnico de ambulância de emergência e criou a carreira especial de técnico de emergência pré-hospitalar, com categorias e progressão próprias, segundo a informação publicada pelo INEM em abril de 2025. Se já trabalhas no setor há anos, usa a designação atual no teu currículo e indica entre parênteses a designação antiga quando for necessário para explicar o percurso.
A estrutura que funciona nesta área
Mantém o currículo em duas páginas no máximo, em PDF, com o teu nome no nome do ficheiro. A ordem que melhor funciona é esta:
- Nome, contacto, localidade e disponibilidade para turnos
- Carta de condução e grupo 2, logo por baixo dos contactos
- Perfil curto, com cinco a seis linhas
- Certificações em vigor, com datas de validade
- Experiência profissional, da mais recente para a mais antiga
- Formação académica
- Outras competências, como idiomas ou formação de formadores
Repara na posição das certificações. Num currículo de escritório, a formação costuma vir no fim. Aqui não. Quem contrata quer saber, em três segundos, se podes subir já numa ambulância ou se tens primeiro de fazer um curso. A fotografia continua a ser opcional em Portugal e ninguém a valoriza neste setor, por isso podes dispensá-la sem receio. O mesmo vale para estado civil, número de contribuinte e data de nascimento completa.
Exemplo de perfil pronto a adaptar
Este exemplo é fictício e os números servem apenas para ilustrar o formato. Substitui tudo pelos teus dados reais.
Técnico de emergência pré-hospitalar com quatro anos em ambulância de socorro numa associação humanitária de bombeiros do distrito de Setúbal. Curso TAS e SBV-DAE em metodologia INEM dentro da validade. Experiência em turnos de 12 horas, em média seis a oito saídas por turno, com casos de paragem cardiorrespiratória, trauma da via e partos iminentes. Habituado a comunicar por rádio com o CODU, a fazer a checklist de carga no início de cada turno e a registar cada ocorrência. Carta de condução B com autorização para o grupo 2 e disponibilidade imediata para escalas rotativas na margem sul.
Cinco coisas ficaram claras em seis linhas: a função, o tempo de casa, as certificações válidas, o tipo de casuística e a disponibilidade. Não escrevas que és dinâmico e que trabalhas bem sob pressão. Nesta profissão isso é o mínimo, não um argumento.
Como escrever a experiência: antes e depois
O erro mais comum é descrever o posto em vez de descrever o trabalho. Compara.
Antes: «Responsável pelo transporte de doentes e apoio à equipa de emergência.»
Depois: «Tripulei ambulância de socorro em escala rotativa de 12 horas na zona de Almada, com média de seis a oito saídas por turno. Assegurei a checklist de carga e a verificação dos aspetos de segurança da viatura no início de cada turno, a comunicação por rádio com o CODU durante a ocorrência e o registo clínico no verbete. Assumi a condução em emergência em cerca de metade das saídas.»
A segunda versão usa o vocabulário do próprio perfil de competências do técnico de emergência pré-hospitalar publicado pelo INEM, que descreve entre as funções verificar os aspetos mecânicos e de segurança da ambulância, realizar a checklist de verificação da carga, efetuar registos da ocorrência, servir de elo de ligação entre o CODU e o local da ocorrência e efetuar triagem multivítimas. Se fizeste estas coisas, escreve-as com estas palavras. Um júri que lê cem candidaturas reconhece a linguagem e não tem de adivinhar.
Vale o mesmo para os meios em que já trabalhaste. O documento do INEM separa a atividade na ambulância de emergência médica, na ambulância de suporte imediato de vida, no motociclo de emergência médica e no CODU. Se tens horas em mais do que um destes meios, diz exatamente quais e durante quanto tempo, porque são conteúdos funcionais diferentes.
Certificações: a secção que decide a candidatura
Esta é a parte do currículo que mais candidatos estragam, e é a que tem regras públicas.
O curso de tripulante de ambulância de socorro passou a ter 200 horas de sala, divididas em dois módulos sequenciais, 125 horas de sistema integrado de emergência médica e emergências médicas e 75 horas de trauma, com nota mínima de 15 valores no primeiro módulo para avançar para o segundo e um prazo máximo de seis meses para concluir o percurso, segundo o INEM em março de 2024. O mesmo anúncio tornou obrigatório ter o curso de suporte básico de vida com desfibrilhação automática externa em metodologia INEM, dentro da validade, antes de entrar no curso TAS.
O curso de tripulante de ambulância de transporte é mais curto, com 50 horas divididas em dois módulos de 25 horas, segundo o programa publicado pela Escola Nacional de Bombeiros. Dá acesso às tripulações das ambulâncias de transporte e permite integrar uma ambulância de socorro como segundo elemento.
Escreve cada certificação assim: nome do curso, entidade formadora, mês e ano de conclusão e data de validade. As escolas acreditadas pelo INEM, como a Escola de Socorrismo da Cruz Vermelha Portuguesa, indicam que o certificado TAS tem validade de cinco anos e obriga a recertificação, por isso um currículo com um curso de 2018 e sem menção à recertificação levanta logo uma dúvida. Se estás a meio de um processo de recertificação, diz isso mesmo, com a data prevista.
Acrescenta também o que te distingue: formação de condução de veículo de emergência pelo Núcleo de Condução de Emergência, curso de CODU, formação em extração de vítimas encarceradas, monitor de suporte básico de vida ou certificado de competências pedagógicas, que é o que te permite dar formação. Todos estes constam do perfil de competências do INEM como formação associada às várias atividades do técnico de emergência pré-hospitalar.
Candidaturas ao INEM: o currículo é pontuado, não é lido por prazer
Num procedimento concursal do INEM aplicam-se a Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas, aprovada pela Lei n.º 35/2014, de 20 de junho, e a Portaria n.º 233/2022, de 9 de setembro. Olha para o aviso de um concurso real. No procedimento aberto em dezembro de 2025 para 306 postos de técnico de emergência pré-hospitalar avançado, dirigido a quem já está na carreira, o INEM definiu três métodos de seleção: avaliação curricular, aptidão física e psíquica e entrevista de avaliação de competências. A classificação final resulta da fórmula CF igual a avaliação curricular vezes 0,60 mais entrevista vezes 0,40, e a própria avaliação curricular resulta de formação profissional vezes 0,40 mais anos de serviço vezes 0,60.
Duas consequências práticas. Primeira: a candidatura obriga a um formulário eletrónico próprio, e o currículo vai anexado a esse formulário, não em vez dele. Segunda: o mesmo aviso do INEM exige que sejam entregues os documentos comprovativos dos cursos mencionados no currículo e avisa que a falta dos documentos obrigatórios determina a exclusão do candidato. Um curso que escreves sem juntar o certificado vale zero na pontuação. Antes de submeteres, põe o currículo ao lado da pasta dos certificados e confirma linha a linha que cada curso listado tem o seu PDF.
Para as candidaturas fora do setor público, o critério é outro. Aí manda a rapidez: um ficheiro leve, enviado no próprio dia do anúncio, com a disponibilidade e a localidade no topo. Se preferires partir de uma base já organizada por secções, podes montar o teu documento em criar currículo e guardar duas versões, uma para concursos e outra para candidaturas espontâneas.
Erros que tiram candidaturas da lista
Listar cursos sem datas de validade. Escrever «socorrista» quando o que tens é o curso TAS, ou o contrário. Esconder a carta de condução na última linha da segunda página. Enviar um ficheiro chamado cv final 2 revisto.pdf. Omitir os meses de interrupção sem explicação, quando bastava uma linha a dizer que estiveste noutra área. E, no caso dos concursos, deixar de fora o número da oferta a que te candidatas no assunto do email ou no formulário.
Um último conselho. Guarda uma folha de cálculo com todos os teus cursos, entidades, datas de conclusão e datas de validade. Atualiza-a sempre que fizeres uma formação. No dia em que abrir um concurso com prazo de 20 dias úteis, tens o currículo pronto em meia hora em vez de passares uma semana a pedir segundas vias de certificados.