Mercado de trabalho em Portugal: os números de 2026 que precisas de conhecer
Desemprego em 5,3%, o mais baixo desde 2011. Mais 151 mil empregos criados num ano. Mas o salário médio bruto é 1.835€ e o desemprego jovem está nos 18,3%.
Laddro Team

Portugal está num bom momento no mercado de trabalho. Pelo menos nos números agregados. Os dados do segundo trimestre de 2026 confirmam uma tendência positiva que se vem a construir nos últimos anos, mas há uma diferença significativa entre os indicadores macroeconómicos e a realidade de quem procura emprego.
Os dados do INE
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego no segundo trimestre de 2026 desceu para 5,3%, menos 0,8 pontos percentuais do que no trimestre anterior e menos 0,6 pontos do que no período homólogo. É o valor mais baixo desde o início da série do INE, em 2011.
A população empregada atingiu 5.399.800 pessoas, um aumento de 1,9% (mais 99 mil) face ao trimestre anterior e de 2,9% face a um ano antes, o que equivale a mais 151,5 mil empregos em doze meses. É o nível mais elevado desde o primeiro trimestre de 2011. A população desempregada, estimada em 300.800 pessoas, diminuiu 13,1% (menos 45,5 mil) em três meses.
Para contexto, a taxa de desemprego anual de 2025 tinha fechado em 6,0%, na altura já a mais baixa desde 2011. Os dois trimestres seguintes levaram o mercado ainda mais abaixo desse patamar.
A taxa de subutilização do trabalho caiu para 9,1%, o menor valor desde 2011, abrangendo 525,8 mil pessoas. Portugal está próximo do que os economistas chamam de "pleno emprego."
Os salários: a subida que não chega
O salário médio bruto mensal por trabalhador subiu para 1.835 euros no trimestre terminado em junho de 2026, segundo o INE, um aumento de 5,1% face ao mesmo período de 2025. A componente regular atingiu 1.436 euros e a componente base 1.342 euros.
No setor privado, que concentra 84,1% dos trabalhadores por conta de outrem, a remuneração bruta total passou de 1.568 euros em junho de 2025 para 1.654 euros um ano depois, uma subida de 5,5%. A média nacional é puxada para cima por setores com salários muito elevados, como eletricidade e gás, enquanto a agricultura fica bastante abaixo dela.
O salário mínimo nacional subiu para 920 euros brutos em janeiro de 2026, mais 50 euros face ao ano anterior (uma subida de 5,75%). Depois dos descontos de 11% para a Segurança Social, o rendimento líquido fica nos 818,80 euros. O acordo de rendimentos prevê 970 euros em 2027 e 1.020 euros em 2028, e o programa do Governo aponta para 1.100 euros em 2029.
O que os números não mostram
O desemprego jovem continua alto. A taxa de desemprego entre os 16 e os 24 anos foi de 18,3% no segundo trimestre de 2026, menos 0,8 pontos do que no trimestre anterior mas mais 0,2 pontos do que um ano antes. É mais do triplo da taxa geral. Quase um em cada cinco jovens que procura trabalho não o encontra.
A habitação come o salário. Em Lisboa, a renda média de um T1 no centro ultrapassa os 1.000 euros. Com um salário mínimo líquido de 818 euros, fazer as contas é impossível. Mesmo com o salário médio, a habitação consome uma proporção desproporcionada do rendimento. O Porto segue a mesma tendência, embora com valores ligeiramente mais baixos.
A imigração muda a equação. Portugal conta com mais de 1,5 milhões de imigrantes legais, segundo a AIMA (dados de 2024). Os brasileiros representam a maior comunidade, com 484.596 residentes. Esta dinâmica cria concorrência adicional em setores como hotelaria, construção e serviços, mas também alimenta o crescimento económico.
Os setores que mais empregam
Tecnologia e digital. Portugal ultrapassou as 5.000 startups ativas em 2025, gerando cerca de 2,85 mil milhões de euros. Lisboa e Porto consolidaram-se como hubs tecnológicos europeus, com o Web Summit 2025 a reunir mais de 71 mil participantes. Os salários em tecnologia e finanças cresceram 8% em 2026.
Turismo e hotelaria. Continuam a ser pilares da economia, mas os salários neste setor são dos mais baixos do mercado.
Saúde e serviços. O envelhecimento da população cria procura constante nestas áreas, com crescimento previsível nos próximos anos.
O que significa para a tua procura de emprego
O mercado está melhor, mas a competição mantém-se. Mais empregos não significa menos competição. As posições mais qualificadas continuam a atrair muitos candidatos, e o crescimento da imigração qualificada intensifica a disputa.
A emigração continua a ser uma opção. Muitos portugueses, especialmente jovens qualificados, continuam a emigrar para outros países europeus em busca de salários mais altos. Mas o regresso também está a crescer, impulsionado pela melhoria das condições e pela qualidade de vida.
Quem se preparar melhor, destaca-se. Com uma taxa de desemprego em mínimos de 15 anos, o mercado favorece quem investe em qualificação, domina ferramentas digitais e sabe apresentar-se de forma diferenciada. Ter um CV atualizado, uma presença profissional online e uma estratégia de candidatura organizada fazem toda a diferença.
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