Mercado de trabalho em Portugal: os números de 2025 que precisas de conhecer
Desemprego em 6%, o mais baixo desde 2011. Mais 163 mil empregos criados. Mas o salário médio é 1.694€ e o desemprego jovem está em 19,5%.
Laddro Team

Portugal está num bom momento no mercado de trabalho. Pelo menos nos números agregados. Os dados de 2025 confirmam uma tendência positiva que se vem a construir nos últimos anos, mas há uma diferença significativa entre os indicadores macroeconómicos e a realidade de quem procura emprego.
Os dados do INE
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de desemprego anual de 2025 fixou-se em 6,0%, uma redução de 0,4 pontos percentuais face a 2024 (que tinha registado 6,4%). É a taxa de desemprego anual mais baixa desde 2011, e ficou ligeiramente abaixo da própria previsão do Governo, que apontava para 6,1%.
A média anual de população empregada em 2025 foi estimada em 5.275.300 pessoas, um aumento de 3,2% face ao ano anterior, o que equivale a mais 163 mil empregos criados. A população desempregada, estimada em 337.100 pessoas, diminuiu 4,0% (menos 14 mil) em relação a 2024.
No quarto trimestre de 2025, os números foram ainda melhores: a taxa de desemprego caiu para 5,8%, com a população desempregada a diminuir 11,4% (menos 42 mil pessoas) face ao trimestre homólogo.
A taxa de subutilização do trabalho caiu para 10,2%, o menor valor em 14 anos. Portugal está próximo do que os economistas chamam de "pleno emprego."
Os salários: a subida que não chega
O salário médio bruto mensal em Portugal em 2025 foi de 1.694 euros, segundo o INE — um aumento nominal de 5,6% e real de 3,2% face ao ano anterior. A componente regular atingiu 1.365 euros e a componente base 1.277 euros.
Em dezembro de 2025, a remuneração média subiu para 1.877 euros brutos, um aumento de 5,1% face a dezembro de 2024. Mas estes números incluem setores com salários muito elevados, como eletricidade e gás (média de 3.476 euros), que distorcem a média. A agricultura, por exemplo, regista uma média de apenas 1.086 euros.
O salário mínimo nacional subiu para 920 euros brutos em janeiro de 2026, mais 50 euros face ao ano anterior (uma subida de 5,75%). Depois dos descontos de 11% para a Segurança Social, o rendimento líquido fica nos 818,80 euros. O Governo prevê que o salário mínimo atinja os 1.100 euros até 2029.
O que os números não mostram
O desemprego jovem continua alto. A taxa de desemprego entre os 16 e os 24 anos foi de 19,5% em 2025. Melhor que os 21,6% do ano anterior, mas quase o triplo da taxa geral. Um em cada cinco jovens que procura trabalho não o encontra.
A habitação come o salário. Em Lisboa, a renda média de um T1 no centro ultrapassa os 1.000 euros. Com um salário mínimo líquido de 818 euros, fazer as contas é impossível. Mesmo com o salário médio, a habitação consome uma proporção desproporcionada do rendimento. O Porto segue a mesma tendência, embora com valores ligeiramente mais baixos.
A imigração muda a equação. Portugal conta com mais de 1,5 milhões de imigrantes legais, segundo a AIMA (dados de 2024). Os brasileiros representam a maior comunidade, com 484.596 residentes. Esta dinâmica cria concorrência adicional em setores como hotelaria, construção e serviços, mas também alimenta o crescimento económico.
Os setores que mais empregam
Tecnologia e digital. Portugal ultrapassou as 5.000 startups ativas em 2025, gerando cerca de 2,85 mil milhões de euros. Lisboa e Porto consolidaram-se como hubs tecnológicos europeus, com o Web Summit 2025 a reunir mais de 71 mil participantes. Os salários em tecnologia e finanças cresceram 8% em 2026.
Turismo e hotelaria. Continuam a ser pilares da economia, mas os salários neste setor são dos mais baixos do mercado.
Saúde e serviços. O envelhecimento da população cria procura constante nestas áreas, com crescimento previsível nos próximos anos.
O que significa para a tua procura de emprego
O mercado está melhor, mas a competição mantém-se. Mais empregos não significa menos competição. As posições mais qualificadas continuam a atrair muitos candidatos, e o crescimento da imigração qualificada intensifica a disputa.
A emigração continua a ser uma opção. Muitos portugueses, especialmente jovens qualificados, continuam a emigrar para outros países europeus em busca de salários mais altos. Mas o regresso também está a crescer, impulsionado pela melhoria das condições e pela qualidade de vida.
Quem se preparar melhor, destaca-se. Com uma taxa de desemprego em mínimos de 14 anos, o mercado favorece quem investe em qualificação, domina ferramentas digitais e sabe apresentar-se de forma diferenciada. Ter um CV atualizado, uma presença profissional online e uma estratégia de candidatura organizada fazem toda a diferença.
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