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Networking em Portugal: não é cunha, é estratégia profissional

O networking em Portugal tem má fama, mas é uma das ferramentas mais eficazes para encontrar emprego. Aprende a fazê-lo bem.

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mar 19, 20264 min de leitura
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Em Portugal, a palavra "contactos" tem uma carga negativa que não existe em muitos outros países. Dizer que conseguiste um emprego por contactos soa a cunha, a favorecimento, a alguém que te colocou sem mérito.

Mas há uma diferença enorme entre seres colocado pelo primo do presidente da junta e um antigo colega de trabalho dizer ao chefe "conheço alguém que seria perfeito para esta posição". O primeiro é cunha. O segundo é networking. E em 2026, se não fazes networking, estás a jogar em desvantagem.

Os números falam

Estima-se que entre 60% e 80% dos empregos em Portugal não são preenchidos apenas através de portais de emprego públicos. Uma parte significativa é coberta através de contactos diretos, recomendações internas e candidaturas proativas. Isto não é uma conspiração contra quem não tem contactos. É simplesmente como funcionam os processos de seleção na prática.

Quando uma empresa precisa de preencher uma vaga, muitas vezes o primeiro passo é perguntar internamente: "Alguém conhece alguém bom?". Se surge um nome, essa pessoa tem uma vantagem enorme antes de a oferta chegar ao Net-Empregos.

Por que em Portugal custa mais

A cultura portuguesa tem algumas particularidades que dificultam o networking profissional. Misturamos muito o pessoal e o profissional: as nossas relações de trabalho tendem a ser também relações de amizade, e isso faz com que pedir um favor profissional se sinta estranho.

Também há uma certa timidez na hora de nos vendermos. Falar dos nossos feitos profissionais é percebido como gabarolice. Em culturas anglo-saxónicas, contar em que és bom é perfeitamente natural. Em Portugal, tens vergonha.

E depois há o LinkedIn, que para muitos portugueses continua a ser uma rede social desconfortável. Não sabem o que publicar, têm receio de comentar em publicações alheias e mantêm o perfil meio vazio.

Como fazer networking sem te sentires falso

O networking não é ir a um evento com cartões de visita, distribuí-los como flyers e esperar que alguém te ligue. Isso não funciona em lado nenhum, e em Portugal menos ainda.

O bom networking baseia-se em relações genuínas. Trata-se de cultivar ligações profissionais com pessoas do teu setor, contribuir com valor e estar presente. Quando precisares de ajuda, essas relações estarão lá. E quando eles precisarem, tu também estarás.

Começa pelas pessoas que já conheces. Ex-colegas de trabalho, da universidade, de cursos. Gente com quem colaboraste em projetos. Retoma o contacto de forma natural. Uma mensagem "olá, tudo bem? Vi que estás na [empresa], como é que está a correr?" é um bom início.

Participa em comunidades do teu setor. Em Portugal há cada vez mais meetups, grupos de Telegram ou Discord, comunidades no Slack e eventos setoriais. Em Lisboa, Porto e Braga, há eventos profissionais quase todas as semanas. Ir, ouvir e falar com pessoas é networking no estado puro.

Usa o LinkedIn a sério. Não apenas como um CV online. Comenta publicações do teu setor. Partilha artigos interessantes com a tua opinião. Felicita contactos quando mudam de emprego ou conquistam algo.

O que dar antes de pedir

A regra de ouro do networking é dar antes de pedir. Se só contactas as pessoas quando precisas de algo, nota-se. E ninguém quer ser esse contacto.

Pensa no que podes oferecer. Leste um artigo interessante que poderia servir a alguém da tua rede? Partilha-o. Sabes de uma oferta de emprego que não te interessa a ti mas pode interessar a um conhecido? Passa-lha. Alguém da tua rede publicou algo no LinkedIn? Comenta com algo construtivo.

Quando já deste antes, pedir torna-se natural. "Olha, estou à procura de oportunidades em [setor]. Se souberes de alguma coisa ou conheceres alguém, agradecia a referência" é uma mensagem que qualquer pessoa com quem tenhas boa relação recebe com naturalidade.

Networking para quem não é extrovertido

Não é preciso ser a alma da festa para fazer networking. Na verdade, muitos dos melhores networkers são pessoas calmas que simplesmente ouvem bem e mantêm relações de forma consistente.

Se os eventos presenciais te esgotam, foca-te no digital. As interações online contam tanto como as presenciais. Um bom comentário no LinkedIn pode ser o início de uma relação profissional valiosa.

Se preferes o cara a cara mas em grupos pequenos, procura cafés profissionais ou encontros informais de setor. Em muitas cidades portuguesas há grupos que se juntam para tomar café e falar da indústria. São ambientes mais íntimos e menos intimidantes do que uma conferência de 500 pessoas.

A diáspora como rede

Portugal tem uma diáspora enorme. Se tens contactos no estrangeiro, não os ignores. Profissionais portugueses em Londres, Amesterdão, Berlim ou Paris podem ser pontes para oportunidades que não encontras no mercado português. E com o crescimento do trabalho remoto, essas ligações são mais valiosas do que nunca.

O networking não é opcional

No mercado de trabalho português de 2026, com mais concorrência e mais ferramentas digitais, a tua rede profissional é um dos teus ativos mais valiosos. Não é o único fator, mas ignorá-lo é como correr uma maratona com uma perna atada.

Cultiva os teus contactos, contribui com valor e mantém-te visível. Quando surgir a oportunidade, estarás na mente das pessoas certas.

O teu CV, o teu melhor cartão de visita

O primeiro passo para fazer networking eficaz é ter um perfil profissional sólido. Na Laddro ajudamos-te a criar um CV que fale por ti, para que quando alguém te recomendar, a tua candidatura esteja à altura.

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