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Dicas de CV

Currículo de técnico de turismo: exemplo, categorias do CCT e idiomas

Exemplo de currículo de técnico de turismo em Portugal: categorias do CCT das agências de viagens, idiomas com níveis, sazonalidade e um bullet reescrito.

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Illustration for Currículo de técnico de turismo: exemplo, categorias do CCT e idiomas

O setor emprega muita gente. Segundo dados do INE compilados pelo TravelBI do Turismo de Portugal, o Alojamento e Restauração e Similares ocupava 356,3 mil pessoas no 2.º trimestre de 2026, mais 5,5 por cento do que um ano antes, o equivalente a 6,6 por cento do emprego total em Portugal. E há vagas abertas com este nome exato: a página de técnico de turismo do net-empregos mostrava 110 ofertas a 12 de setembro de 2026, de Aveiro a Lisboa, entre agências de retalho, operadores de incoming e estágios profissionais.

O problema é o currículo. Quem recruta para uma agência de viagens em Gondomar ou para um hotel em Albufeira recebe dezenas de candidaturas que dizem a mesma coisa: gosto de viajar, sou comunicativo, falo inglês. Isso não é um currículo de técnico de turismo. É uma carta de intenções. Este artigo mostra o que escrever em vez disso, com a estrutura, um resumo profissional pronto a adaptar e um bullet reescrito linha a linha.

Não existe carteira profissional, logo o currículo tem de provar tudo

Esta é a primeira coisa a perceber, porque muda tudo o resto. Na lista de profissões regulamentadas publicada pela DGERT não consta técnico de turismo, agente de viagens nem guia turístico. A antiga carteira profissional de guia-intérprete desapareceu com a liberalização do acesso à atividade, e hoje a certificação que existe é voluntária, emitida por estruturas do setor, não pelo Estado.

Quem é licenciado é a empresa, não tu. Para operar, uma agência tem de estar inscrita no Registo Nacional de Agências de Viagens e Turismo, o RNAVT, por comunicação prévia ao Turismo de Portugal, nos termos do Decreto-Lei n.º 17/2018, de 8 de março. Repara que as agências levam esse número a sério ao ponto de o incluir na designação com que publicam as vagas: o anúncio de técnico de turismo da HL Viagens, em Gondomar, aparece no Indeed com o RNAVT 12957 a fechar o nome da empresa.

A consequência prática para ti é simples. Como não há cédula que te valide, o que te valida é o que escreves e o que consegues provar: a agência onde trabalhaste e o seu RNAVT, os sistemas que operaste, os destinos que programaste e os idiomas em que atendeste. Um currículo vago não tem nada a sustentá-lo.

A tua categoria tem um nome oficial e faz parte de uma escada

Se vais trabalhar numa agência de viagens, há grandes probabilidades de o teu contrato cair no contrato coletivo entre a APAVT, a Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, e o SIMAMEVIP, publicado no Boletim do Trabalho e Emprego n.º 17, de 8 de maio de 2025. O próprio texto declara que a alteração abrange 520 empresas e cerca de 4000 trabalhadores, portanto é o enquadramento normal do setor, não um caso de exceção.

A cláusula 47.ª lista as categorias profissionais. Para a área comercial e de programação são estas, de baixo para cima: técnico de turismo principiante, 3.º técnico de turismo, 2.º técnico de turismo e 1.º técnico de turismo, com chefe de secção, chefe de serviços, chefe de agência e diretor de serviços acima. Ao lado existem ainda aspirante, rececionista, promotor de vendas e as categorias administrativas.

Isto serve-te de duas maneiras. Primeiro, dá-te o vocabulário certo para o título do currículo e para cada cargo que já tiveste. Segundo, diz-te onde estás. A cláusula 8.ª, n.º 2, é clara: quem exerce funções de técnico de turismo principiante durante um ano é obrigatoriamente promovido a técnico de turismo de 3.ª. Se já passaste esse ano, o currículo deve dizê-lo com a designação oficial, e não com o "consultor de viagens" genérico que a empresa usava internamente.

A tabela salarial do anexo II do mesmo CCT, com valores de 2025, ajuda-te a calibrar expectativas antes de falar de dinheiro: 870,00 euros para técnico de turismo principiante, 891,75 euros para o 3.º, 920,19 euros para o 2.º e 958,41 euros para o 1.º técnico de turismo, mais 7,00 euros de subsídio de almoço por dia. São mínimos da convenção, não salários de mercado. Como referência do que se pratica, o ganho médio mensal por posto de trabalho no Alojamento e Restauração era de 1 185 euros no 2.º trimestre de 2026, segundo o INE nos dados do TravelBI.

Escreve os teus bullets com as funções que a convenção já descreve

O anexo I do CCT define o que um técnico de turismo faz, e é uma lista melhor do que qualquer modelo de currículo na internet. Entre outras funções, diz que este profissional contacta diretamente com o público e promove a venda dos serviços ou organiza viagens individuais ou em grupo "com a responsabilidade sobre a sua execução técnica", orçamenta grupos de importação, exportação ou locais, faz as respetivas reservas e elabora os documentos de viagem, controla reservas de grupos programados e executa serviços de carácter específico da atividade turística, incluindo passaportes.

Usa estes verbos. Orçamentar, programar, reservar, emitir, controlar. São o que quem contrata procura, e são mensuráveis.

O que os anúncios pedem mesmo

Vale a pena ler dois anúncios reais, porque eles mostram os dois extremos do mercado.

O da HL Viagens, em Gondomar, publicado em junho de 2026, pede atendimento presencial e telefónico, "organizar circuitos turísticos, venda de programas turísticos, elaboração de viagens à medida", "conhecimento de plataformas e sistemas de reservas aéreas e turísticas", "conhecimento de programação Incoming Turismo", gestão de reservas de hotéis, transportes e transferes, e até recrutar guias para acompanhar os visitantes. Nos requisitos: ensino secundário obrigatório, dois anos em agência de viagens obrigatórios e inglês ou espanhol obrigatórios.

O outro, da Dolce Travel através da consultora Factor H, em Lisboa, procura um consultor de viagens premium e valoriza "formação em Turismo, Hotelaria ou áreas relacionadas (preferencial)", criação e apresentação de itinerários personalizados, acompanhamento do cliente antes, durante e depois da viagem, e "fluência em inglês (obrigatório) e espanhol (preferencial)".

Conclusão: um pede sistemas e incoming, o outro pede relação com cliente exigente e itinerários à medida. O mesmo currículo não serve bem aos dois. Reordena os bullets para pôr em primeiro lugar aquilo que o anúncio repete.

Estrutura que funciona

  1. Cabeçalho: nome, título na linguagem do setor (Técnico de Turismo, Consultor de Viagens, Agente de Reservas), concelho, telemóvel, e-mail, LinkedIn.
  2. Perfil: três ou quatro linhas com o tipo de operação, os mercados e os idiomas de trabalho.
  3. Experiência: por agência ou unidade, com o nome da empresa, a categoria e os números que passaram pelas tuas mãos.
  4. Sistemas e plataformas: secção própria, porque é filtrada.
  5. Idiomas: com níveis, logo abaixo.
  6. Formação: curso e instituição, com o nível de qualificação.
  7. Formação complementar: incoming, emissão aérea, primeiros socorros, HACCP se trabalhaste em restauração.

Uma página basta até uns cinco anos de experiência. Passa para duas apenas quando tiveres carteira de clientes, grupos geridos ou mercados que justifiquem o espaço.

Perfil para copiar e adaptar

Técnico de Turismo com quatro anos em agência de retalho e operação de incoming no Porto. Programação de circuitos culturais e gastronómicos no Norte e no Douro para mercados britânico e espanhol, com grupos até 35 pessoas. Emissão aérea, gestão de reservas de hotelaria e transferes, orçamentação e acompanhamento comercial de clientes diretos e corporate. Português nativo, inglês C1, espanhol B2.

Se ainda estás a começar, a versão honesta funciona igualmente bem: "Técnico de Turismo com diploma de qualificação de nível 4 pela Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra, incluindo 400 horas de formação prática em contexto de trabalho em posto de turismo municipal e em agência de viagens. Inglês B2, francês B1."

O bullet fraco e o bullet forte

Fraco: "Atendimento ao cliente e venda de viagens numa agência."

Forte: "Atendimento de balcão e telefónico em agência com RNAVT ativo, com cerca de 60 processos de venda por mês; orçamentação e emissão de bilhetes aéreos para Europa e Brasil; programação de 14 circuitos de incoming para grupos britânicos entre maio e setembro de 2025, com reserva de hotelaria, transferes e guias."

A diferença não é o tamanho. É que o segundo bullet responde ao que o anúncio pergunta: volume, tipo de produto, mercado e época.

Idiomas: níveis, não adjetivos

Esta é a secção que mais candidaturas estraga. "Inglês fluente" não diz nada, e quem entrevista vai testar na primeira chamada. Escreve os níveis do Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas, A1 a C2, que é a escala usada no Europass e a que qualquer diretor de recursos humanos em Portugal reconhece. Acrescenta o contexto quando ele for a prova: "inglês C1, usado diariamente no atendimento a grupos e na correspondência com operadores no Reino Unido".

Se tens um terceiro idioma fraco mas útil, escreve-o assim mesmo: "francês A2, suficiente para atendimento de balcão". É mais credível do que inflacionar e ser desmascarado.

Sazonalidade: como escrever contratos a termo sem parecer instável

Muita gente esconde os contratos curtos, o que é um erro neste setor. O próprio CCT da APAVT reconhece, na cláusula 7.ª, n.º 3, que a época alta do turismo é motivo justificativo válido para contratar a termo, e nomeia os períodos: Natal e Ano Novo, de 1 de dezembro a 15 de janeiro; época de ski e férias na neve, entre 15 de novembro e 31 de março; e férias de verão, entre 1 de maio e 30 de setembro.

Quem recruta conhece este calendário melhor do que tu. Portanto escreve as datas reais e acrescenta três palavras de contexto: "contrato de época alta". Uma sequência de quatro verões no Algarve lida assim não é instabilidade, é experiência repetida no período mais exigente do ano.

Se ainda não tens experiência

Dois caminhos que o currículo pode mostrar. O primeiro é o curso. O Técnico/a de Turismo das escolas do Turismo de Portugal confere diploma de qualificação de nível 4 com equivalência ao 12.º ano e inclui, segundo a página do curso das escolas do Turismo de Portugal, 400 horas anuais de formação prática em contexto de trabalho, que é experiência real para efeitos de currículo. Escreve a entidade onde fizeste o estágio, a duração e as tarefas, não apenas o nome do curso.

O segundo é o estágio em agência. A cláusula 40.ª do CCT permite admitir como estagiários jovens que tenham concluído um curso de turismo no próprio ano ou no anterior, ou que frequentem o último ano, com um período máximo de três meses a tempo inteiro ou seis a tempo parcial e compensação monetária nos termos legais. Se for o teu caso, candidata-te a dizer exatamente isso, porque enquadras a tua situação nos termos em que o empregador já pensa.

Antes de enviares

Confirma estas seis coisas. O título do currículo usa a categoria certa. Existe uma secção de sistemas. Os idiomas têm níveis do QECR. Cada experiência tem volumes, mercados e datas. As candidaturas a agências de incoming põem a programação em primeiro lugar, e as de retalho põem o atendimento. O ficheiro chama-se com o teu nome e a função, porque ninguém encontra um ficheiro chamado cv final 2.

Se preferes montar o documento sem perder tempo com formatação, o editor da Laddro em criar currículo faz as perguntas por secção e devolve um PDF que não se desalinha quando passa pelo sistema de candidaturas da agência.

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